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A vida só será respeitada no momento em que nos rendermos a sua beleza!

Blog dos teólogos
Sex, 11 de Novembro de 2011 06:10

"São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus, os que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que é; nem tampouco, pela consideração das obras, chegaram a reconhecer o Artífice." (Sb 13,1)

Deus-_Michelangelo_2Nossa! Que dizer além disso? Precisamos de mais Metafísica! Olhar além das aparências, buscar as essências e além delas o Criador! Que hoje, extasiados pela natureza que nos cerca possamos ver a beleza infinitamente superior de quem a Criou!

Acho que boa parte dos problemas do nosso mundo estão relacionados com nossa incapacidade de admirar a beleza e de se enamorar dela. Quando contemplamos por exemplo o mistério e a beleza de uma vida nascente - verdadeiro espetáculo misterioso e irrepetível que ocorre oculto aos olhos humanos no seio da mãe, mas que a ciência permite em parte contemplar - me pergunto como não nos enamoramos da beleza? Como não contemplar essa maravilha da natureza que se produz e desenvolve segundo desígnios para nós ainda de todo não revelados? Mais: como não pensar em Deus, verdadeiro realizador dessa magnífica obra humana? Como maquinar muitas vezes a destruição dessa beleza que não nos pertence, pois não a fizemos? Como pensar que destruí-la significa liberdade e bem? Como é possível transformar o que deveria ser amável em objeto de medo, de ameaça, de ódio a ponto de achar melhor sua eliminação que acolhida?

Estamos ainda muito enamorados do que somos capazes de fazer, das nossas próprias produções, que não podemos ver o Artífice maior? Nossa capacidade é somente análoga a d'Ele, nós transformamos e Ele faz do nada! Nosso olhar egoísta nos coloca cegos ao Criador e na medida que não o reconhecemos perdemos o sentido do que somos, pois nossa verdade depende essencialmente do reconhecimento d'Aquele que nos criou. A vida só será respeitada no momento em que nos rendermos a sua beleza!

Aos que se perderam num materialismo ou num naturalismo que não transcende a Escritura exorta: "Se, encantados por sua beleza, tomaram estas criaturas por deuses, reconheçam quanto o seu Senhor está acima delas: pois foi o autor da beleza quem as criou. Se ficaram maravilhados com o seu poder e a sua atividade, concluam daí quanto mais poderoso é aquele que as formou: de fato, partindo da grandeza e da beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, aquele que as criou." (Sb 13, 3-5). Que possamos buscar essa Beleza Criadora, possamos amá-la, seguí-la, comungá-la! Para que nos aproximando d'Ela possamos reconhecer verdadeiramente o que há de belo em nós, por nos assemelhar-mos a Ela.

Boa contemplação para todos!

Pe. Eduardo Peters

 
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O Reino de Deus está entre vós.

Blog dos teólogos
Qui, 10 de Novembro de 2011 06:25

“O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou ‘Está ali’, porque o Reino de Deus está entre vós”.

santa_ceiaAs Palavras de Jesus no Evangelho de hoje nos permitem uma reflexão sobre a natureza do Reino. O Reino de Deus não se apresenta, nem se apresentará como um reino mundano. Ele não é uma estrutura de governo, nem um estabelecimento da sociedade, ele é antes de tudo Amor! Jesus nesse Evangelho fala dele mesmo, mas ao fazer isso fala do amor de Deus. O Reino é o próprio Jesus, Ele e tudo o que Ele significa para nós. Ele é o caminho para se estabelecer o reinado de Deus. Seu exemplo de obediência no amor a vontade do Pai, suas obras, suas palavras, se tornam paradigma para quem busca a vida em Deus. O Reinado de Deus está ENTRE nós quando nossos relacionamentos traduzem nosso discipulado de Jesus. Quando estabelecemos a comunhão fruto do Espírito de Jesus, quando nos reunimos por seu amor.

Me parece que o reinado se estabelece sob o patrocínio do amor de Deus. Tudo o que causa desunião, ódio, rivalidades, ressentimentos, discórdias, pecado está fora do reinado de Deus. Ainda precisamos caminhar muito para que o reinado se manifeste no modo como nos relacionamos entre nós. Amor é acolhida do outro e nós ainda ouvimos falar de aborto como direito; amor é respeito pelo outro e nós falamos de eugenia, considerando que existem seres humanos melhores que outros, como quando se qualifica o anencéfalo como um sem direito a vida; amor é doação de si e nós testemunhamos ainda um império do egoísmo que pensa antes na determinação de direitos individuais do que no bem comum.

Salva-nos Senhor, pois o teu amor é mais forte do que a morte! Salva-nos, porque sem o teu auxílio somos cegos para o outro! Salva-nos Senhor, pois sem a tua graça não podemos! Salva-nos de nós mesmos, para que olhando para o outro que precisa ser amado, aprendamos a olhar para ti! Venha o teu Reinado de Amor!

 
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O Templo é casa de oração

Blog dos teólogos
Qua, 09 de Novembro de 2011 06:29

 

"Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!"

vendilhoes_do_temploO Templo não é lugar de comércio. Não se trata simplesmente de observar ou criticar a loja que vende objetos nas Igrejas ou de perceber realidades que ferem o espaço sagrado do templo, existem outros tipos de comércio que precisam parar:

às vezes na nossa espiritualidade praticamos um verdadeiro comércio espiritual, pois achamos que nossa oração é moeda de troca, sugerindo ao Senhor que nos dê o que queremos procurando convencê-lo de que somos bons e de que merecemos ganhar o que pedimos. As graças da parte Deus podem muito bem vir das nossas súplicas, quando elas bem orientadas reconhecem o que nós somos e o que Deus é. É a benevolência de Deus que se aproxima da nossa necessidade como presença amorosa, isso não pode ser 'pago', mas reconhecido nas nossas orações.

o comércio milagreiro que usa da fé do povo para extorquir é uma das formas mais odiosas de 'religião'. É um pecado que clama aos céus pois muitas vezes se tira dos pequeninos abusando de sua boa vontade e de sua boa fé, minando a sua esperança diante de uma graça que não vem porque resulta uma ilusão bem cultivada por engandores da fé.

o comércio do corpo, que é o verdadeiro templo do Espírito. Talvez este seja o templo mais profanado nos nossos tempo. O corpo, figura (porque imagem) do que Deus é se vê cada vez mais desfigurado. Quantos templos mal cuidados, quanto despudor, quanta profanação! O verdadeiro respeito ao corpo não corresponde ao culto dele mesmo, mas em oferecer um culto ao Senhor através dele. Essa é a casa de oração por excelência, essa é a morada de Deus, é o lugar de adoração dos verdadeiros adoradores de Deus, uma vez que somos chamados a nos oferecer como hóstias vivas e agradáveis ao Senhor.

Senhor, mostra-nos como alcançar o Teu zelo, que ele também nos consuma a ponto de respeitar-mos o que é sagrado.
Paz!

 
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Equiparação das uniões homossexuais com o matrimônio

Blog dos teólogos
Qui, 12 de Maio de 2011 10:06

aliancasO problema da equiparação da união homoafetiva ao matrimônio é muito mais complexo do que a questão de viabilizar às uniões homossexuais direitos previdenciários ou possibilidade de herança ou questões relacionadas com acesso de parceiros sexuais a planos de saúde; a equiparação nos coloca diante da possibilidade de falsear a verdade natural do que representa a instituição familiar. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que “compete a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais orientam-se para os bens do matrimônio e para o progresso da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como são vividos, entre os sexos, a complementaridade, a necessidade mútua e o apoio recíproco” (CIC 2333). Com isso o Catecismo só afirma aquilo que é constatável na relação esponsal de onde de modo natural origina-se a família. Tal realidade nos coloca diante da verdade natural de que de uma relação homoafetiva não pode advir de modo natural a constituição de uma família, não sendo portanto possível equiparar uma relação com a outra, pois são relações de ordem completamente diferentes.

Com isso a Igreja não se coloca numa posição preconceituosa, o mesmo Catecismo nos exorta em relação aos homossexuais a acolhê-los “com respeito, compaixão e delicadeza. Evitando-se em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta.” (CIC 2358). Como justiça é, segundo definição do jurista romano Ulpiano (sec. II), “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, não consideramos que a união homoafetiva goze das mesmas características e prerrogativas que uma união conjugal, portanto o “suum” jurídico do matrimônio é e sempre será distinto de um “suum” da relação homoafetiva. Diante disso devemos fazer distinção de natureza entre uma relação e outra ao invés de equiparação. Em toda analogia realizada entre as duas relações encontraremos mais dissonâncias do que consonância.

A CNBB, em nota recente, recorda diante do ocorrido que “é atribuição do Congresso Nacional propor e votar leis, cabendo ao governo garanti-las. Preocupa-nos ver os poderes constituídos ultrapassarem os limites de sua competência, como aconteceu com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal. Não é a primeira vez que no Brasil acontecem conflitos dessa natureza que comprometem a ética na política.” (Nota da CNBB sobre decisão do STF para união homoafetiva).

Pe. Eduardo Peters

 
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Educar é “emergência” na missão da Igreja

Blog dos teólogos
Sex, 04 de Fevereiro de 2011 15:19

 

Arcebispo de Braga faz reflexão sobre o tema em jornada da família

 

sagrada_familiaROMA, segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – “Educar e testemunhar segundo a Boa-Nova de Jesus Cristo é uma verdadeira emergência na missão da Igreja”, afirma o arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga.

Em uma reflexão apresentada na VI Jornada da Família, no arciprestado de V. Nova de Famalicão, nesse sábado, o arcebispo destacou que hoje se vive “num tempo novo que exige de nós o esforço contínuo de repensar os modelos educativos”.

Dom Jorge Ortiga adverte do risco das correntes pedagógicas do facilitismo e da lei do menor esforço no âmbito da educação. Incentivam-se “pedagogias centradas na auto-realização individual sem vislumbrar uma cultura da fraternidade e da partilha de valores”.

Trata-se de um panorama que contagiou a família, a escola e a própria Igreja.

“A família, na sua forma materna e paterna, já não ousa contrariar as crianças e permite precocemente, por demissão ou por omissão, todo o tipo de experiências que desequilibram o crescimento integral da pessoa.”

Segundo o arcebispo, “é preciso clareza e comunhão no exercício do testemunho parental. Onde está um sim também pode estar um não”.

Já a escola, “na perspectiva redutora de uma formação pluricultural, não tem sido capaz de delinear um projeto educativo respeitador e promotor de uma cultura verdadeiramente humana”.

“Impõe-se a todo o custo uma ideologia educativa estatal com a consequente eliminação silenciosa de todas as propostas educativas que orientem para os valores do testemunho, da autoridade, da seriedade, da vontade de trabalho e de iniciativa, da fé e da visão cristã do mundo.”

Dom Jorge Ortiga também assinala que a Igreja, “na sua tarefa irrenunciável de apresentar um projeto educativo à luz do pensamento cristão, nem sempre tem sido capaz de propor um itinerário de crescimento e de diálogo entre a fé e a razão”.

“A formação dos agentes educativos da Igreja é urgentíssima porque estamos a perder oportunidades únicas de testemunhar com a vida o anúncio primordial da fé cristã”, afirma.

Para enfrentar essa situação, o arcebispo indica alguns “ministérios possíveis”, como a utilização das novas tecnologias, a criação de equipes de jornalismo para elaborar boletins paroquiais, a formação de equipes de voluntariado de ação social, a promoção de iniciativas de índole cultural onde o pensamento cristão seja apresentado com criatividade e originalidade.

Segundo o arcebispo, não se pode exigir dos católicos que “venham somente à Eucaristia dominical, é preciso que a comunidade acolha com a alegria as várias sinergias e dons ao serviço do Evangelho”.

Ensino

Dom Jorge Ortiga partilhou sua preocupação da redução da educação em Portugal “a uma certa demagogia ideológica”.

“Ultimamente verifica-se uma polarização da perspectiva economicista da educação. Por nosso lado não podemos deixar de dizer que o ensino privado não pode ser visto como contraponto do estatal.”

O ensino privado – prossegue o arcebispo – “é ensino público na medida em que está ao serviço de toda a sociedade na formação dos quadros diretivos e do tecido produtivo do nosso país”.

“Certamente que a questão econômica não é secundária, mas é necessário garantir o direito das famílias poderem escolher o modelo educativo para os seus filhos.”

O prelado fez um apelo “a uma educação integral resultante de testemunho de vida e da competência técnica de todos aqueles que interagem no acompanhamento vocacional das crianças e dos jovens”.

“Uma educação que não seja auto-realização ou funcionalista mas que eduque as novas gerações para uma cidadania exigente e ativa na luta por um progresso justo e humano.”

Ele pediu ainda o compromisso dos cristãos em “propor uma educação católica, universal e diversificada, que toque as grandes questões da nossa existência”.

 
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