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Blog dos cientistas

Aborto: questão de saúde pública

Qui, 02 de Setembro de 2010

10_semanasÉ recorrente o argumento de que é preciso encontrar solução para o aborto, porque se trata de uma questão de saúde pública. Colocado dessa forma, concordo plenamente.

Não penso, entretanto, que a solução possa estar na chamada descriminalização, pois isso só faria agravar o problema, como vem ocorrendo em outros países.

Diz o Ministério da Saúde que acontecem no Brasil entre 1 e 1,5 milhão de abortos por ano. Escapa-me como pode ser feita essa estatística, tratando-se de prática clandestina, mas tomemos a afirmativa como verdadeira. Uma prática que ceifa 1,5 milhão de vidas por ano é, certamente, grande problema de saúde pública. Nenhuma doença tem números tão altos. No Brasil e no mundo, o aborto é hoje a maior causa mortis. Não entra nas estatísticas, já que a criança não nascida não é registrada, não tem nome nem atestado de óbito, mas a falta de registro não muda o fato de que ela viveu - por maior ou menor tempo - e morreu, deixando uma história gravada na memória de seus pais e de outras pessoas. Essas existências truncadas trazem grande ônus social, ao qual pouca atenção se presta.

O aborto também traz grandes males, físicos e psíquicos, para a mulher que aborta. Permitam-me uma comparação um pouco chocante, mas ilustrativa. Dados os males provocados pelo fumo, em alguns lugares proíbe-se fumar. Há quem concorde e quem discorde, quem obedeça ou desobedeça. O pulmão do fumante, entretanto, não distingue entre o cigarro legal e o ilegal.

No caso do aborto, a legalização evitaria algumas complicações decorrentes das condições da prática clandestina.

Entretanto, os principais efeitos nocivos do aborto continuariam a ocorrer, como se pode demonstrar com os dados obtidos em países nos quais a prática não é considerada crime na legislação vigente.

Nesse caso não se trata de suposições e extrapolações, mas de estudos científicos publicados em revistas médicas.

Nos Estados Unidos, mulheres que se submeteram ao aborto provocado apresentam, em relação às que nunca fizeram um aborto: 250% mais necessidade de hospitalização psiquiátrica; 138% a mais de quadros depressivos; 60% a mais quadros de estresse pós-trauma; sete vezes mais tendências suicidas; 30 a 50% mais quadros de disfunção sexual.

Além disso, entre as mulheres que fizeram um aborto, 25% exigem acompanhamento psiquiátrico em longo prazo.

Em dezembro do ano passado o British Journal of Psichiatry publicou pesquisas realizadas na Nova Zelândia, que mostraram existir 30% mais problemas mentais em mulheres que fizeram aborto induzido.

O coordenador do trabalho, dr. David Fergusson, admite que era favorável ao aborto por livre escolha, mas que estava repensando a sua posição em função dos resultados obtidos.

Outro dado preocupante é que a legalização acaba por aumentar significativamente o número de abortos. A Espanha traz-nos um exemplo expressivo.

Em 2008, o editorial do jornal El País comentou que há na Espanha "demasiados abortos". Entre 1997 e 2007, o número de abortos mais que dobrou. Entre 2006 e 2007, houve incremento de 10%. Além disso, uma em cada três mulheres que abortaram em 2007 já haviam abortado anteriormente, uma ou mais vezes. Isso demonstra a banalização da prática. El País comenta que o aborto é "percebido por muitos jovens como um método anticoncepcional de emergência, quando é uma intervenção agressiva que pode deixar sequelas físicas e psicológicas".

Sobre as sequelas psicológicas, já comentei acima. Sobre as físicas, há estudos que mostram maior risco de doenças circulatórias, doenças cérebro-vasculares, complicações hepáticas e câncer de mama. A gravidez posterior também fica comprometida, com maior incidência de placenta prévia, parto prematuro, aborto espontâneo e esterilidade permanente.

A solução não está em facilitar o aborto, legalizando-o, mas, pelo contrário, em inibi-lo. Manter a legislação vigente, acabar com a impunidade das clínicas e da venda clandestina de abortivos e, principalmente, fazer um trabalho educativo de valorização da vida.

Artigo publicado no Correio Braziliense, 31/08/2009

Comentários  

 
0 #4 20-11-2011 20:45
Ótimo texto do Correio Brazielliense! Fundamental à sensibilização pró-vida em meio a cultura de morte atual. Parabéns.
 
 
+1 #3 20-05-2011 11:23
Se não me engano, a primeira estatística se baseia no número de mulheres que procuram atendimento médico após o aborto. Quanto à questão do número de abortos aumentarem, já ouvi dados de que em geral eles diminuem após um aumento imediato após a legalização que costuma durar uns 3 anos(como por exemplo o Wolney Garrafa fala nesse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=kNhhvcH3GHg). Não tenho como confirmar isso. Essa ideia pode parecer estranha para muitos, mas sei que em relação às drogas, por exemplo, vários países onde houve uma descriminalizaç ão/legalização bem feita o consumo diminuiu como Portugal e Holanda. De fato, há juristas (antiproibicion istas) que defendem que a melhor maneira de se controlar algumas práticas é justamente discriminalizá-las, já que assim você permite (ou obriga) as pessoas a procurar tratamento psicológico, permite que elas às realizem de maneira controlada, enfim, trata as pessoas como alguém que tem um problema, e não criminosos.
 
 
+1 #2 27-03-2011 06:24
Caros, promotores da vida, parabéns pelo site, trabalho maravilhoso.
Como eu faço pra conseguir informações da criança Marcele, anencefala? e também, como faço para visualizar os posts anteriores do blog dos cientistas?
Deus vos abençoe!
 
 
+1 #1 03-09-2010 10:25
Parabéns pelo texto, caríssimos!
O aborto é uma violência pra mãe e filho, e só quem insiste em implementa-lo no mundo são as Fundações internacionais multi-milionárias e os fantoches dessas Fundações.

Abraços,
 

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